Aceita o desafio?

Há um enorme espaço vazio à direita.
Se antes o CDS era o partido mais à direita, com o surgimento de novos partidos, deixou de ocupar esse lugar sozinho.

Nos últimos anos, para além da imagem de austeridade a que ficou colado, para dar resposta às exigências da Troika, num governo de coligação, passou a conduzir a actuação política com uma clara lógica de poder, numa perspectiva de “catch all party”, que conduziu a resultados eleitorais interessantes, mas temporários, por falta de consistência não apenas ideológica, mas também na mensagem aos eleitores.
Isso explica a queda nos resultados eleitorais, em particular nas últimas legislativas.

O CDS-PP congregava os democratas-cristãos, os conservadores e os mais liberais.
Um partido anti-sistema com a tónica conservadora vem ocupar um dos lugares e outro altamente liberal nos costumes e na economia, vem oferecer a alternativa aos que nela se revêem.

O que sobrou? Um enorme espaço vazio para os democratas-cristãos.

Conservadores nos costumes e, de alguma forma, liberais na economia, porque a favor da Vida e da Liberdade, congregam-nas com o Humanismo, revelando preocupações sociais acrescidas, que impedem a visão da exploração do Homem, que visam a meritocracia, a solidariedade, subsidiariedade, a justiça, a mínima intervenção do Estado e a cooperação entre os povos. Liberta de amarras, vê na política um claro serviço às comunidades, procurando proteger a sua cultura e identidade.

Ora, se muitos destes conceitos passam de forma algo ofuscada noutros partidos, é hora de a fazer valer no único partido que os representa – o CDS-PP!

Se o partido tem aparecido apagado e desmaiado, claramente não é por falta de doutrina, mas porque não houve quem a pusesse em prática nos últimos anos, indo ao encontro do voto fácil e esquecendo que este partido não deve mover-se pelo poder mas pela lógica dos valores.

Um partido Democrata-Cristão não pode ter medo de assim se afirmar, pois acredita que são a Verdade e Amabilidade que conquistam e é assim que se alcança consistência e, por conseguinte, votos e influência política.

Se o ódio e a repulsa com o que está mal são excelentes motores para algumas forças políticas se afirmarem (porque, efectivamente, o País entrou em grande decadência moral, política e económica), também o discurso técnico, dirigido para os assuntos financeiros e crescimento do País, é apelativo para quem identifica quem gera a riqueza e reconhece o enorme empobrecimento em que o País está mergulhado.
Mas quer uns, quer outros, não parecem abranger todas as preocupações que devem orientar as políticas governativas.

E é aqui que a Democracia-Cristã assume o seu maior potencial, pois integra, na sua forma de fazer política, a visão do Homem em todas as suas dimensões e todas as suas necessidades, que incluem, também, a vida em família e em comunidade e o espírito de entreajuda, porque não vive só.

O CDS-PP tem de voltar a esta sua identidade e deve afastar-se de quem não a promove ou de quem está preocupado em servir-se da política, movido por interesses muitas vezes obscuros.

Vim para o CDS-PP pouco tempo depois da tomada de posse da Geringonça. Movida por noção de sentido cívico, quis dar um pequeno contributo, nem que fosse fazer número nos eventos, abanar a bandeirita, dizer “muito bem” atrás dos candidatos a falarem para os media e dar força à direita.
Qual não foi o meu espanto quando percebo que venho a conhecer pessoas extraordinárias, do melhor que a política tem, desinteressadas e com espírito de abnegação.
Tenho esse privilégio!

Tomara que muitos mais vivessem o mesmo e percebessem que, na política, também se encontram pessoas movidas por coração puro. São mais destas pessoas que o CDS-PP tem de conquistar – aquelas que estão com espírito de serviço, que nada pretendem a não ser contribuir.

Queremos ter connosco os melhores. E quando digo os “melhores”, refiro-me aos de coração bom.
E depois é juntar forças e diferenças: haverá os que escrevem bem, os que falam bem, os que divertem, os que enchem uma sala com palmas, os que hasteiam a bandeira CDS-PP com determinação.
Este é um combate que não se trava por dinheiro ou interesse pessoal, mas por virtude.

Somos já alguns a estudar Democracia Cristã, a querer falar dela e a querer conquistar pessoas.
Na TEM, em particular, estamos empenhadíssimos!

Filiem-se no CDS-PP, juntem-se em pequenos núcleos locais onde o CDS-PP não existe e juntem-se aos grupos que já existem. Conquistem à volta, influenciem os outros com as boas intenções e fujam da náusea que vem da má política – já somos alguns no País e podemos ajudar.

E é assim que se conquista partido.
É assim que se escolhem os bons líderes e é, também, assim que se conduz o País a algo melhor.

O pior que pode acontecer?
Arrependerem-se da filiação. Mas tem solução: podem sair.
A filiação não é um casamento, não precisa de ser vista para a vida.
Pode ser tão simplesmente vista como o local onde a pessoa precisa de estar num dado momento e certas circunstâncias. E esta é a altura em que muitos podem ajudar o CDS-PP.

Arrisquem! Juntem-se aos melhores. Vai valer a pena, a vida ficará mais cheia.
Não faltarão momentos para trabalhar, para rir, para chorar, para se doarem…
Para mim, tem valido a pena.
Aceita o desafio?

Joana Bento Rodrigues
Membro da Comissão Executiva da TEM/CDS