Cristas ouviu críticas, assumiu culpas mas não deu sinais de mudança

por Sofia Rodrigues/Público

Nuno Melo condenou a mistura do anúncio dos candidatos às legislativas com as europeias. Há conselheiros nacionais a defender que Manuel Monteiro devia regressar em força

Foi um conselho nacional quente em que os centristas não pouparam a líder do partido por causa da estratégia seguida até agora, apurou o PÚBLICO junto de várias fontes. Assunção Cristas, bem como Nuno Melo e Pedro Mota Soares, assumiram as responsabilidades pela derrota eleitoral, mas manteve-se o desânimo no CDS. O próprio vice-presidente Nuno Melo criticou decisão da líder do partido. Horas depois desta reunião, o próprio Mota Soares abriu uma brecha na bancada parlamentar. O deputado assumiu discordar da posição do partido sobre os salários dos juízes e alertou para o “erro” e a incoerência face ao defendido anteriormente pelo CDS. A união e a paz só durará até às legislativas, caso se repita o mau resultado, avisam os críticos da direcção.

O ex-deputado Filipe Lobo d’Ávila falou durante quase meia hora e apontou o dedo à direcção por não conseguir que os eleitores identifiquem uma única ideia do CDS para os levar a votar no partido. A crítica já tinha sido feita por António Lobo Xavier, que foi mandatário da lista do CDS nas europeias, no programa Circulatura do Quadrado na TVI.

Filipe Lobo d’Ávila condenou ainda a escolha e o anúncio dos candidatos às legislativas na pré-campanha das europeias, o que dividiu o partido e contribuiu para a desmobilização. Esta crítica foi assumida pelos próprios candidatos, Nuno Melo e Pedro Mota Soares, e foi ainda secundada por outros conselheiros nacionais, nomeadamente os representantes da Tendência Esperança em Movimento (TEM). Luís Gagliardini Graça, membro desta corrente interna, pediu que Assunção Cristas pusesse o lugar à disposição e que recuasse nas listas para as legislativas, propondo outros nomes (que não sejam apenas os de Lisboa distribuídos pelo país) depois de ouvir as estruturas locais. Se aceitasse propor outros candidatos a deputados, a própria TEM daria o seu apoio à líder do partido até às legislativas.

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