“A minha opinião é a da maioria”

Numa era de #MeToo, Joana Bento Rodrigues, de 37 anos, escreveu numa crónica para o “Observador” sobre as mulheres como não estamos habituados a ler. Acredita que a mulher perdeu o seu “potencial feminino, matrimonial e maternal”, defende que a mulher se sente realizada “quando assume, amiúde, muitas das tarefas domésticas, com toda a sua alma” e garante que a mulher “por norma, não se incomoda em ter menos rendimentos que o marido, até pelo contrário”.

O artigo de opinião foi partilhado milhares de vezes e, em declarações à MAGG, a médica ortopedista garante que foram muitas as reações positivas e que algumas lhe confidenciaram terem gostado do artigo mas que não o publicavam nem comentavam nas redes sociais por medo.

“Vivemos numa ditadura social do politicamente correto; como tal, quem se opõe a esta visão que pretendo transmitir, manifesta-se muitas vezes de forma intimidatória”, esclarece. Mas que visão é essa?

“Sou anti-feminista por reconhecer que muitos movimentos feministas têm pouco de feminino, nos moldes em que se apresentam”, explica Joana.

É contra o sistema de quotas porque penalizam a mulher, “ao privarem-na da possibilidade de ascender na vida cívica e política pelo mérito”.

Reconhece que, na História, houve momentos importantes de luta pela igualdade entre géneros, como no caso do direito ao voto ou a possibilidade de frequentar o ensino. “Foi preciso quotas? Não, foi preciso mérito e vontade genuína”.

Joana Bento Rodrigues tem nos pais o seu exemplo e lembra a mãe “belissima, elegante, sempre alegre, boa mãe e esposa e uma excelente profissional reconhecida pelos seus pares” e um pai, médico de profissão, de onde lhe veio “o valor do trabalho e do empenho, da retidão e da honestidade”.

Natural de Vagos, vive em Coimbra desde que entrou na Universidade para se formar em Medicina, com pós-graduação em Medicina do Desporto e estágios no estrangeiro. Pelo meio, veio o CDS, “o único partido com assento na Assembleia da República a votar efetivamente e de forma coerente a favor da vida”. Faz parte da TEM  – Tendência Esperança em Movimento, a corrente de opinião democrata-cristã do CDS, é contra o aborto e a eutanásia e a favor da família natural, ou seja “uma família que resulta da união de um homem e de uma mulher”. A sua foi construída com o homem com quem casou depois de terminado o curso e com quem tem quatro filhos.

Sabe que choca com as palavras mas nem por isso fala a medo. Desafiámo-la, por isso, a comentar algumas das frases mais polémicas da sua crónica. “Acredito em tudo o que disse, vamos a isso”.

 

1. “[A mulher] Gosta de cuidar e receber e assume, amiúde, muitas das tarefas domésticas, com toda a sua alma, porque considera ser essa, também, a sua função.”

“É curioso porque muitas das críticas ao artigo foram claramente feitas depois de uma leitura apenas superficial. Este é um dos casos. Repare que nesta frase eu não digo que a mulher tem de se responsabilizar pelas tarefas domésticas. Eu digo que o assume muitas vezes. Quer isto dizer, por sua livre vontade. Se gosto de tarefas domésticas? Nem por isso, prefiro dedicar-me a outras atividades. Se as assumo? Sim, muitas vezes, mas sempre contando com a presença do marido que partilha essas responsabilidades.”

2. “A mulher gosta de se sentir útil, de ser a retaguarda e de criar a estabilidade familiar, para que o marido possa ser profissionalmente bem sucedido”

“Atente-se aos dados do estudo “As mulheres em Portugal, hoje: quem são, o que pensam e como se sentem” da Fundação Francisco Manuel dos Santos, publicado recentemente e que inclui 2,7 milhões de mulheres, muito representativo, portanto. ‘Das [mulheres] que estão ativas no mercado de trabalho, para mais de um terço (36%) o trabalho pago parece não lhes proporcionar mais do que dinheiro, dado que manifestaram que se não precisassem de dinheiro para viver, não trabalhariam. No extremo oposto, as que demonstraram entusiasmo pelo trabalho pago são quase um quarto (23%) dado que afirmam que trabalhariam mesmo que não precisassem de dinheiro para viver.’

Se a mulher pudesse não trabalhar ou trabalhar menos, teria de ter outras formas de rendimento. Uma das opções é óbvia e parte do pressuposto de que podem provir do marido. Por seu turno, a vida do homem e as funções que assume no seio familiar estão longe de ser fáceis. Desde sempre foi principalmente o homem a tomar a decisão de trabalhar à distância ou mesmo emigrar para prover os seus com o essencial, garantindo a subsistência de toda a família e permitindo à mulher ficar com os filhos na sua área de conforto, perto dos pais e de toda a estrutura que podia apoiar a educação dos filhos. Quão dura pode ser a atuação do homem enquanto marido e pai. Não raras vezes, é a si que cabem as decisões difíceis, a imposição das regras com os filhos, na procura da elevação da sua educação. Ganha com isso o afastamento natural dos filhos que sempre procuram na mãe o colo e amparo. E na sua sabedoria, esta deverá atuar como hermenêutica desse amor paternal, explicando que não é mais do que um gesto de amor necessário para o seu bem! Este papel mais frio e duro, que reconheço ser mais masculino e comprovadamente genético, pode ser muito solitário e ele próprio é também de louvar”.

3. “Por norma, não se incomoda em ter menos rendimentos que o marido, até pelo contrário. Gosta, sim, que seja este a obtê-los, sendo para si um motivo de orgulho. Porquê? Porque lhe confere a sensação de proteção e de segurança”

“Houve quem fosse intelectualmente desonesto e referisse nos media que eu tinha assumido que ‘a mulher não se importa de ganhar menos do que o homem’. Ora isso é uma falácia! A mulher não se importa muitas vezes de ganhar menos do que o marido, se num projeto comum, enquanto opção de ambos. Qualquer pessoa percebe que, para haver um adequado acompanhamento dos filhos mas manter rendimentos adequados, alguém terá de prescindir, pelo menos um pouco, da sua carreira, para que o outro possa crescer profissionalmente. É uma escolha natural e muitas vezes assumida pela mãe, por sua livre iniciativa — é um apelo interior. Claro que só se pode dar resposta a esse apelo se a sensação de proteção e segurança, em particular financeiras, estiver presente.

Agora, se me perguntar se a mulher deve ganhar menos do que o homem, a exercer iguais funções, com igual dedicação laboral, incluindo horas extra e trabalho tantas vezes realizado a partir de casa, isso, sim, não seria digno. Vejo atualmente duas realidades. A primeira é aquela em que a mulher claramente não pretende sair mais tarde do posto de trabalho ou trazer trabalho para casa; nesse caso, o homem que o fizer, deve ser obviamente recompensado de forma salarial e, nesse caso, ganhar mais do que a mulher. Outra realidade, talvez não tão frequente — e que acredito acontecer sobretudo em lugares de maior destaque nas empresas privadas —, corresponde à mulher que exerce igual função com igual dedicação, ganhar menos do que o homem; é neste sentido que se deve atuar, até de forma legal, para que tal não aconteça. Nem homem, nem mulher, nem qualquer elemento de outro grupo ou etnia deve ganhar menos por lhe pertencer.”

4. “Na maternidade, a mulher sente-se verdadeiramente realizada, pois percebe o que é o verdadeiro e incondicional Amor”

“Quem nunca comeu manga, não pode conhecer o seu sabor!”

5.  “’Não se pode ter tudo’! Não espanta, assim, que haja menos mulheres em cargos políticos e em posições de poder.A mulher escolhe-o naturalmente, ao dedicar menos tempo que o homem às causas partidárias e ao estudo da História e da atualidade.”

“Embora atualmente não lhe seja dada a devida importância, a adequada governação de um País e a política são algo de muito sério. Tal exige, a meu ver, algum conhecimento. Certamente que ninguém está a par de todos os assuntos e, até na governação, homens  e mulheres podem ter papéis distintos. Mas é necessária inteligência para pelo menos reconhecer que esse conhecimento existe e procurá-lo sempre que necessário ou roderar-se de quem o detenha. Só conhecendo o passado e a atualidade é possível prever o futuro e delinear políticas governavas adequadas a um país.

Se a mulher se afastar deliberadamente da política, como pode ascender a cargos políticos ou de poder? É o que acontece para a prática de um desporto; só os clubes ou atletas mais capazes são chamados às competições mundiais; não se pode esperar que um país, onde esse desporto se pratique menos, tenha os melhores atletas para conseguir vencer as competições. É possível, mas muito mais difícil. Trata-se de uma questão percentual apenas.”

6. “Este ativismo tornou-se, inclusivamente, desprestigiante para a mulher. Objetifica a mulher, enquanto presa para sexo fácil e espaço de diversão.”

“Qual acha ser a mensagem que passa quando uma mulher se apresenta despida em público expondo partes íntimas do corpo, em particular nas paradas feministas? Gosta de ver? Eu não! Esse feminismo não me representa!”

7. “Declaro-me anti-feminista e contra a nova Lei da Paridade”

“Sou anti-feminista por reconhecer que muitos movimentos feministas têm pouco de feminino, nos moldes em que se apresentam. Representar-me-iam e à maioria das mulheres — acredito —, se lutassem pelo direito à ética e ao trabalho digno, num espaço livre de assédio moral/sexual, bem como o direito à vivência da maternidade e conciliação com o trabalho e apresentassem propostas que visassem a promoção da natalidade e a defesa da vida.

Em relação à Lei da Paridade, penso que as quotas serão altamente penalizadoras para a mulher, ao privarem-na da possibilidade de ascender na vida cívica e política pelo mérito. O sexo de uma pessoa não lhe confere maior ou menor capacidade, maior ou menor aptidão. O que acontecerá se porventura as mulheres ultrapassarem os 40% de representatividade, porque muitas o conseguem pela sua competência? Legisla-se as quotas para os homens? E onde está o limite em relação a outros grupos que são considerados minoritários — também se criam quotas?

Por outro lado, esta a lei viola o artigo 13.º da Constituição da República Portuguesa, que refere, entre outros, que “ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça (…)”. Acredito que muitos defensores da lei sejam movidos pela vontade de acelerar um processo que, embora reconheçam ser natural, acreditem ser lento. Mas o que é artificial e imposto, por norma, não gera bons resultados e, no futuro, enfrentaremos problemas por ter aceitado esta lei.”

2 thoughts on ““A minha opinião é a da maioria”

  1. Totalmente de acordo. O politicamente correcto tem sido uma autêntica ditadura social no sentido de impor determinadas ideias com as quais a maioria não concorda mas tem receio de ficar “excluído” se o disser…. A tendência para a equiparação da mulher ao homem só tem prejudicado a mulher, o homem e a familia…. E os resultados estão à vista. Mas a mais prejudicada é sem dúvida a própria mulher…

  2. Estou totalmente de acordo. Diz o que muitas pensam mas têm medo de dizer, porque hoje tem de se ser politicamente correto, para não ofender as virgens. Vivemos num tempo em que ser normal é uma anormalidade.

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