Portugal Desigual, Portugal Submisso

Mário Cunha Reis
Engenheiro e Gestor
Conselheiro Nacional do CDS e Membro da Comissão Executiva da TEM/CDS

É licenciado em Engenharia Electrónica Industrial, pela Universidade do Minho e MBA/Marketing, pela Universidade Católica Portuguesa. Completou formação pós-graduada em Gestão de Projectos, pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e em Empreendedorismo e Comercialização de Alta-Tecnologia, pela NC State University (EUA). É Gestor de Negócios Internacional no sector das Tecnologias de Informação e Comunicação, Consultor e Formador.

Traduziu para português o texto “The Paris Statament – A Europe We Can Belive In” (“A Declaração de Paris – Uma Europa na qual podemos crer”), por Phillipe Bénéton, Remi Brague, Chantal Delsol, et al (2017).

 

 

Transcrição

[Saudações protocolares]
Estimados fundadores e históricos militantes do CDS aqui presentes.
Estimados oradores convidados,
senhor Professor Paulo Otero e senhor Professor Manuel Monteiro.
Senhoras e Senhores convidados,

Caros amigos,

É com uma enorme alegria e, maior honra, que, em nome da TEM – Tendência Esperança em Movimento, e na qualidade de Membro da sua Comissão Executiva e de anfitrião vimaranense, por adopção:

Vos recebo a Todos, nesta magnífica sala de jantar, neste elegantíssimo Hotel situado no coração da cidade de Guimarães, no qual ficou demonstrado ser possível – como exemplo da virtude do conservadorismo – conservar a tradição arquitectónica portuguesa do século XIX, conjugando-a com o melhor que a tecnologia do século XXI permite obter, de forma bela e harmoniosa. Mérito do nosso anfitrião, o Arquitecto António Jorge Cerejeira Fontes e da sua equipa, que muito generosamente de dispôs a acolher-nos neste local e a apoiar-nos na organização desta conferência.
Vos recebo a Todos, na cidade a que estou ligado desde a minha infância por laços familiares. Laços que se desenvolveram durante a minha adolescência, enquanto estudante na Escola Secundária Francisco de Holanda (antiga Escola Comercial e Industrial), da qual tenho muito boas memórias, quer da qualidade do ensino, quer da exigência disciplinar, quer do espírito de camaradagem que existia entre os alunos, independentemente do extracto social ou económico de cada um, e, mais tarde, na Escola de Engenharia da Universidade do Minho, onde me licenciei.

Esta foi também a cidade que escolhi e me acolheu quando decidi fixar residência e onde vim a constituir família. Onde vivo hoje com a minha mulher, Márcia Gigante, angolana, mas com coração português, que nos deu um inestimável apoio na organização, e com quatro maravilhosos filhos. Foi também aqui que me filiei no CDS, em 2012, e onde vim a integrar duas Comissões Políticas desta Concelhia.

Guimarães, a “Cidade Berço”, cuja História remete para a fundação da nacionalidade, é absolutamente indissociável do estabelecimento da identidade nacional e da língua portuguesa no século XII.

É uma terra de gente de nobre e de gente simples, de gente empreendedora e de gente trabalhadora, de gente honesta e honrada. Uma terra onde o amor às tradições, à história e à cultura nacional, o pulsar do associativismo, o fervor bairrista e comunitário se sente em cada bairro, em cada freguesia, não encontrando muito provavelmente par em qualquer outra parte do país.

Terra com uma forte actividade económica industrial, com tradição secular nos sectores têxtil, do calçado e das cutelarias, e que nas últimas décadas beneficiou do importante desenvolvimento no sector do turismo, que se deveu a um importante plano estratégico de desenvolvimento e de investimento que foi feito na reabilitação do edificado urbano, em especial no Centro Histórico da cidade, onde podem encontrar-se edifícios particulares que remontam à época medieval, bem como muitos outros edificados entre os séculos XV a XIX, cujo mérito foi internacionalmente reconhecido através da atribuição, em 2001, da classificação de Património Mundial da Humanidade pela UNESCO.
Esta foi, como é sabido, a cidade escolhida para palco da Capital Europeia da Cultura, em 2012, e da Capital Europeia do Desporto, em 2013.

Apesar de tudo isto, Guimarães, sendo uma cidade de média dimensão, não tem escapado ao centralismo das instituições, não tendo, na minha opinião, adequada representatividade nos Governos de Portugal, nas instituições do Estado, nas Administrações Públicas, mas também nas Instituições Políticas.

Creio que, por um lado, tal se deverá à continuada concentração de poderes na Capital, e, por outro, a uma certa inércia por parte dos agentes económicos e políticos da região. Acrescentaria a isto, o facto de, muitas vezes os directórios partidários escolherem como representantes dos distritos, personalidades que ou não têm verdadeiramente ligação aos círculos eleitorais que são chamados a representar, ou, nalguns casos, a um certo deslumbramento pela proximidade dos corredores do poder, que os leva a esquecer dos deveres do mandato que lhes foi conferido pelos eleitores do seu círculo.

A escolha desta cidade de Guimarães para a primeira conferência da TEM fora da capital do país, após a sua formalização, não foi, como compreenderão, obra do acaso. Trata-se de um acto de afirmação política. De que há mais país para além das duas grandes áreas metropolitanas. De que na “província”, conforme os centralistas, pejorativamente, se referem ao resto do território, existe gente interessada em ouvir, debater e participar activamente na vida política, com repercussão nacional. De que na “província” existe gente com valores, com capacidades, com mérito profissional, empresarial, académico, científico e político para assumir responsabilidades em qualquer nível do aparelho do Estado ou do Governo e, por maioria de razão, das estruturas partidárias. Não temos na “província” qualquer limitação intelectual ou política, nem qualquer complexo de inferioridade que nos impeça de disputar, pelo mérito, qualquer lugar, seja este onde for.

Refutamos, do mesmo modo, qualquer tentativa de menorização ou menosprezo das nossas valências ou capacidades. Não seremos melhores do que ninguém, mas certamente não somos menores do que ninguém.
Em Guimarães, assumimo-nos, sem complexos, como minhotos. Assumimo-nos, sem complexos, como nortenhos, portugueses e descendentes do nosso ancestral, inventor e pai da nação portuguesa, El-Rei Dom Afonso Henriques!
A escolha desta data de 1º de Dezembro, feriado nacional em que se comemora a Restauração da Independência Nacional, ou seja, a Restauração de Portugal enquanto país soberano, tem ainda um expressivo valor simbólico. Recordo que a comemoração desta efeméride, enquanto feriado nacional, foi abolida por imposição externa quando estivemos sob intervenção da Troika, tendo sido posteriormente reposta, muito por força do “Movimento 1º de Dezembro”, liderado pelo Dr. José Ribeiro e Castro, antigo Presidente e antigo Deputado do CDS na Assembleia da República, a quem, mesmo não estando aqui presente, aproveito para saudar.

Recuperámos o feriado da Restauração da Independência Nacional, simbolicamente importante no que diz respeito ao reconhecimento da importância da soberania nacional, isto é, a importância de ser o Povo português a decidir do seu próprio rumo. Mas, não recuperámos a nossa soberania. Muito pelo contrário!

Na verdade, temos estado a abdicar, progressivamente, passo-ante-passo, de todos os instrumentos de soberania nacional.

Fomos sendo alertados para os efeitos nocivos e, por vezes perversos, da aprovação dos sucessivos Tratados Europeus que foram sendo assinados pelo Estado português, sem qualquer discussão profunda na sociedade portuguesa ou consulta prévia ao povo português.

Abdicámos do controlo das nossas fronteiras. Abdicámos do controlo da nossa própria política monetária. Abdicámos do nosso próprio controlo orçamental. Estamos progressivamente a abdicar da nossa política diplomática, das nossas alianças, das nossas relações bilaterais, em favor de uma diplomacia europeia, centralizada, que certamente corresponderá aos interesses dos detentores do poder, mas certamente não terá em consideração o interesse do nosso país.

A Chaceler alemã Angela Merkel, disse publicamente que:
«Os Estados nacionais devem estar hoje preparados para abdicar da sua soberania».

Soubemos esta semana do pedido feito pela Alemanha à França para que ceda à União Europeia o seu assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Pedido, entretanto, rejeitado, e bem (!), pelo governo francês.

Talvez alguns dos presentes não saibam, desde logo porque os órgãos de comunicação social não lhe tem dado a devida atenção e importância, mas, nos próximos dias 10 e 11 de Dezembro, na cidade de Marraquexe, em Marrocos, terá lugar a conferência intergovernamental da ONU para adopção do pacto para «migração segura, ordeira e regular».

O governo português estará presente para assinar o acordo, sem prévia autorização legislativa e, novamente, sem debate e sem referendo, para posteriormente transpor tais “directivas” para a legislação nacional. Este será um marco fundamental na prossecução da política do “multiculturalismo”, o plano de migrações massivas para a Europa, com vista à substituição da população europeia e da cultura europeia, vistas por dirigentes europeus como um bem maior.

A civilização europeia e ocidental fez-se com base em três pilares: Sophia, Potestas e Caritas.
Sophia, a sabedoria resultante da filosofia grega.
Potestas, o poder e o direito romano.
Caritas, a caridade cristã.
Estes três pilares estão hoje em risco, com o ataque deliberado à cristandade, por via da instituição do Estado laico, profundamente anticristão, mas, por outro lado, favorável ao islão e ao judaísmo.

Estamos a viver um tempo em que urge afirmar a identidade, a cultura e a soberania nacionais, da qual alguns estão dispostos a abdicar, sem qualquer objecção, resistência ou pudor, em troca de fundos comunitários, lugares na poderosa máquina burocrática da União Europeia, na administração de uma qualquer corporação económica ou financeira multinacional estrangeira.

Estamos a viver um tempo em que a liberdade de expressão e opinião estão a ser postas em causa. Estamos a viver um tempo em que a linguagem e a língua portuguesa estão a ser subvertidas e corrompidas. Estamos a viver um tempo em que afirmar que um bebé nasceu menino ou menina é uma afirmação política, porque anti-sistema, imagine-se!

Estamos a viver sob uma ditadura que urge combater, a do “politicamente correcto”.
Temos todos que combater!

Não podemos permitir que a extrema-esquerda que comanda o actual governo de Portugal, destrua o nosso país, o nosso povo e a nossa cultura e as nossas tradições.

Na TEM, temos procurado trazer para o espaço público a discussão de muitos destes temas, seja através da publicação de artigos de opinião, de intervenções públicas ou de conferências como esta.
A verdade é que não temos tido grande acolhimento por parte dos dirigentes políticos.

Precisamos do vosso apoio e da vossa ajuda para que possamos crescer. Para que possamos cada vez mais constituir uma reserva dos valores e princípios da democracia-cristã e do humanismo personalista, e assim possamos influenciar positivamente os dirigentes nacionais, deputados e autarcas do CDS.

Precisamos, com o vosso apoio e a vossa ajuda, de alargar a nossa base de subscritores.

A equipa da Comissão Executiva da TEM é composta por pessoas comuns, com vidas comuns. Pessoas cujo rendimento, como acontece com a maioria do povo português, resulta do esforço do trabalho e da actividade profissional.

Precisamos da vossa contribuição para podermos aumentar a nossa capacidade de fazer chegar uma mensagem de Esperança ao eleitorado tradicional do CDS, de norte a sul do país, às regiões autónomas e à diáspora portuguesa.
Contamos com o vosso apoio!

Viva Guimarães!
Viva o CDS!
E, sobretudo, Viva Portugal!

Guimarães, 1 de Dezembro de 2018

 

Documentos

Portugal Desigual, Portugal Submisso“, por Mário Cunha Reis
Jantar Conferência TEM, Guimarães, 1 de Dezembro de 2018