Conraria deve ser tratado, não os homossexuais

Luís Aguiar Conraria, controverso colunista do Observador, no seu recente artigo “Os meus dois centavos sobre a Direita” afirma que “Com grande facilidade eu votaria em Adolfo Mesquita Nunes para me representar na Assembleia da República, mas, por exemplo, nunca na vida votaria num Abel Matos Santos, do mesmo partido, que acredita que os homossexuais devem ser tratados”.

Já há uns meses repetiu esta mentira a meu respeito no Observador.
Na altura decidi não lhe responder mas dei conhecimento ao responsável, José Manuel Fernandes, explicando que nunca defendi essa posição e o que penso sobre o assunto.

No entanto, na página de FB de Nuno Garoupa, tentei educadamente, explicar a Conraria que não era verdade o que ele dizia sobre mim e qual era a minha posição sobre o assunto.

Tempo perdido, porque a sua intolerância e xenofobia política, levaram a que não só não aceitasse a minha palavra e explicações, mas ainda me insultasse e ofendesse.

Fiquei a perceber que tipo de personalidade ali estava e que não valeria a pena qualquer tentativa de diálogo, urbano, civilizado e positivo.

Acontece que, de novo, no seu mais recente artigo sobre a Direita, onde revela nada entender sobre o pluralismo da vida interna do CDS e dos valores que defendemos, volta a mentir, e é o termo, a mentir de novo a meu respeito.

Desta forma, e porque o meu bom nome e boa reputação profissionais são fundamentais para mim, e para esclarecimento de quem ainda o possa ler, fica o que penso sobre a sua afirmação dos homossexuais e dos tratamentos.

Eu defendo, enquanto profissional de Saúde, que todos e sem excepção, devem ter acesso aos melhores cuidados de saúde.
Nesse sentido, todos nós devemos ter acesso aos tratamentos que precisamos e às avaliações e intervenções em Saúde que possam, não só tratar, mas prevenir a doença.

Segundo a OMS, a saúde “é um estado de completo bem-estar físico, mental e social” e como tal tudo o que possa afectar qualquer destas dimensões pode necessitar de intervenção.

A orientação sexual não pode ser factor discriminatório, positivo ou negativo, para a intervenção em Saúde.

Conraria afirma que eu defendo que as pessoas com orientação homossexual devem deixar de ser homossexuais através de um qualquer tratamento.

Nada mais falso! O que eu defendo é que qualquer pessoa, independentemente da sua orientação sexual, que me procure enquanto Psicólogo Clínico ou a qualquer colega meu, deve ser ajudado e acompanhado de acordo com o seu pedido.

Ou seja, se tiver em consulta uma pessoa que sofre, não se sente bem ou tem dúvidas sobre a sua orientação sexual, seja ela qual for, eu não só não posso recusar a minha intervenção, como a devo dar de acordo com os pedidos e necessidades do paciente. Seja a pessoa hetero, homo ou bissexual.

Isto não são terapias de reconversão sexual, são terapias de suporte e de resposta ao sofrimento e necessidades do paciente.

Estas formas de intervenção e resposta clínicas não podem estar dependentes ou serem limitadas consoante a orientação sexual da pessoa que está à nossa frente em consulta.

Muito menos podem ser limitadas por critério políticos, ideológicos, económicos ou outros.

Tenho tido ao longo dos meus vinte anos de prática clínica, muitos pacientes de todas as orientações sexuais, e continuo a ter. A todos, sempre tratei de igual modo e tentando dar o melhor de mim, como pessoa e clínico.
O meu interesse sempre foi e é o bem estar do paciente. É isso que continuarei a fazer, ajudar as pessoas a viverem melhor!

Quanto a Conraria, aconselho vivamente a expiação desses fantasmas que o afastam da humanidade que tanto precisamos na vida pública, política e social.
A sua acrimónia e falta de verdade no outro, colocam-no irremediavelmente longe do patamar da felicidade e da concórdia onde todos os dias ambiciono estar.

Desejo-lhe as maiores felicidades, mas não minta mais a meu respeito! Não gosto e não lhe fica bem!

Abel Matos Santos
Fundador da TEM/CDS
Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e em Sexologia