“Viva a Vida”. Manifestação reuniu centenas de pessoas junto do parlamento

TSF

Deputados, médicos, enfermeiros e juristas reuniram-se para apelar aos deputados que rejeitem a despenalização da morte medicamente assistida.

“Viva a vida”, “escute e conheça” ou “pare e pense”, foram a alguns dos ‘slogans” mais ouvidos durante o protesto que, a poucos dias da discussão e votação dos diplomas sobre a morte medicamente assistida, reuniu, em frente à Assembleia da República, algumas centenas de pessoas, numa manifestação convocada pelo ‘Movimento Cívico STOP Eutanásia”.

Do topo de um palco improvisado, junto da escadaria principal, o psicólogo Abel Matos Santos, um dos membros que rejeita a morte medicamente assistida, foi um dos que, desde logo, tomou a palavra para deixar uma mensagem aos deputados.

“A eutanásia significa dizer a estas pessoas que se matem. Não, nós temos de dizer aos deputados e aos portugueses que queremos cuidar, que queremos cuidados paliativos para todos e que queremos vida e viver com dignidade”, disse.

Num protesto que juntou peticionários, médicos, enfermeiros e juristas, como Pedro Vaz Pato, jurista foi uma das vozes que chamou a atenção para uma questão que o movimento contra a eutanásia considera essencial: “Em nenhum dos programas eleitorais estava esta questão, por isso, não pode ser votada pela Assembleia da República”.

Mas, no protesto não houve apenas mensagens para os deputados, Sara Sepúlveda, uma enfermeira alentejana, deixou uma mensagem para o líder do Governo.

“Senhor primeiro-ministro, não vimos exigir que ponha uma vaca a voar, vimos exigir que dê cuidados paliativos para todos, em Portugal inteiro, que é algo que não existe”, sublinhou a enfermeira.

A poucos dias da votação dos vários diplomas – e com o anúncio do voto contra por parte dos grupos parlamentares do CDS-PP e do PCP, grande parte da expectativa recai sobre os votos da bancada do PSD. António Proa, deputado municipal pelos social-democratas e membro do movimento contra a despenalização da eutanásia admite que este é um momento de grande responsabilidade para os deputados.

“O grupo parlamentar tem sobre ele uma grande responsabilidade, que é interpretar qual a vota de maioria da sociedade portuguesa que, do meu ponto de vista, não aderiu a esta questão e não a considerou importante”, disse à TSF ex-deputado social-democrata à Assembleia da República.

No próximo dia 29 de maio o parlamento discute e vota na generalidade os projetos de lei de BE, PS, PAN e PEV sobre a morte medicamente assistida.